Foto: Gualter Fatia - UEFA via Getty ImagesUEFA ameaça boicotar competições da FIFA caso avance venda de participações a investidores privados
Seleções europeias alinham no boicote aos Mundiais caso a intenção de Gianni Infantino prossiga
A UEFA e as suas 55 federações membro divulgaram esta quinta-feira um comunicado conjunto onde rejeitam "de forma unânime e inequívoca" a proposta da FIFA de vender participações nas suas competições a investidores privados. O organismo europeu considera que o Campeonato do Mundo "não está à venda" e acusa a FIFA de colocar os interesses financeiros acima dos interesses do futebol.
No comunicado, a UEFA afirma que a proposta foi concebida sem uma consulta adequada às federações nacionais e alerta que a entrada de investidores externos alteraria de forma permanente o futebol. Segundo o organismo, o retorno financeiro passaria a condicionar decisões sobre o calendário internacional, os formatos das competições e o futuro da modalidade, em detrimento dos interesses de jogadores, clubes, ligas, federações e adeptos.
A UEFA considera ainda que este modelo "não tem lugar no futebol mundial", defendendo que o futuro da modalidade não pode ser ditado pelas expectativas de rentabilidade dos investidores. O organismo acrescenta que o futebol "não pode hipotecar o seu futuro por ganhos financeiros de curto prazo" e sublinha que ninguém tem autoridade moral para vender um património que pertence às gerações futuras.
A posição mais dura surge na ameaça de boicote. A UEFA garante que, enquanto a proposta não for totalmente abandonada, nenhuma das suas federações participará em competições da FIFA. O organismo exige ainda garantias de que a entidade liderada por Gianni Infantino não voltará a colocar em cima da mesa a privatização da propriedade das suas competições.
A reação surge depois de a FIFA anunciar a criação da FIFA Forward Enterprise, uma nova empresa comercial avaliada em cerca de 20 mil milhões de dólares, da qual poderá alienar até 20% do capital a investidores privados, mantendo, segundo a própria FIFA, o controlo sobre a governação e as decisões desportivas.


