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Foto: Olympiacos
Análise

Os clubes profissionais portugueses integrados em redes de multipropriedade

Tudo explicado pela equipa da Cabine Desportiva

Por Cabine Desportiva · 30/07/2026

A multipropriedade é uma realidade cada vez mais presente no futebol português. Vários clubes nacionais fazem atualmente parte de redes internacionais de investimento que controlam ou detêm participações em mais do que um emblema, seguindo uma tendência crescente no futebol europeu.

Na Primeira Liga, o Rio Ave integra o grupo liderado por Evangelos Marinakis, proprietário também do Olympiacos e do Nottingham Forest. O Moreirense pertence ao Black Knight Football Club, estrutura que inclui igualmente o Bournemouth, o Lorient e o Auckland FC. O SC Braga conta com a Qatar Sports Investments como acionista minoritária da SAD, grupo que detém o Paris Saint-Germain e o Eupen, da Bélgica.

Já o Vitória SC faz parte da rede da V Sports, também de forma minoritária. O grupo é liderado por Nassef Sawiris e Wes Edens, proprietários do Aston Villa, detentores de 30% do FC Annecy, de França, e de cerca de 25% do Real Unión, de Espanha. A ligação ao emblema do País Basco tornou-se ainda mais estreita porque o clube pertence maioritariamente à família do treinador do Aston Villa, Unai Emery. O irmão do técnico, Igor Emery, assume as funções de presidente do Real Unión.

Também o Famalicão integra a esfera de investimento da Quantum Pacific, grupo liderado pelo empresário israelita Idan Ofer, acionista de cerca de 25% do Atlético de Madrid. Apesar dessa ligação, não se têm registado movimentações relevantes de jogadores entre os dois clubes nos últimos anos, ao contrário do que aconteceu numa fase inicial do investimento no emblema minhoto.

O Académico de Viseu é controlado pela HOBRA GmbH, empresa ligada ao empresário alemão Dietmar Hopp, fundador da SAP e principal investidor do Hoffenheim. O grupo detém também o Barra FC, das divisões inferiores do Brasil. O Estoril Praia faz parte do portefólio de investimento da MSP Sports Capital, que possui participações em clubes como o FC Augsburg (Alemanha), Brøndby IF (Dinamarca), SK Beveren (Bélgica), ADO Den Haag (Países Baixos) e AD Alcorcón (Espanha), além de investimentos noutras modalidades desportivas. O Casa Pia também integra uma rede multiclube, após a entrada do Krause Group nos casapianos. Liderado pelo empresário norte-americano Kyle Krause, o grupo é também proprietário do Parma, de Itália, e do Des Moines Menace, dos Estados Unidos.

O Estrela da Amadora recebeu recentemente a entrada de investidores alemães no capital da SAD. Entre os investidores encontram-se personalidades ligadas ao futebol germânico, como Mats Hummels, Yann Sommer e Thomas Müller, enquanto um antigo dirigente do Bayern Munique assumirá o cargo de CEO da SAD estrelista. Apesar do perfil internacional do investimento, não está, para já, prevista a integração do Estrela da Amadora numa estrutura de multipropriedade.

No Santa Clara, a SAD é controlada pela família Vicintin. Durante vários anos, os Vicintin detiveram também o Alverca, o que permitiu uma forte cooperação entre os dois clubes, refletida em dezenas de transferências de jogadores. Em 2025, a família vendeu a sua participação no Alverca a um grupo de investidores liderado pelo empresário de Vinícius Júnior, deixando de existir uma situação de multipropriedade direta entre os dois clubes. Embora os ribatejanos continuem integrados numa rede multiclube, o proprietário da SAD, Thássilo Soares, é também investidor no Athletic Club, da Série B brasileira.

Passando para a Segunda Liga, o Penafiel passou a integrar uma rede multiclube em 2025, após a aquisição de 90% da SAD por Juan Carlos Escotet, presidente e proprietário do Deportivo da Corunha. O negócio foi concretizado através da Iberian Football Venture, veículo de investimento da família Escotet. O Leixões integra a rede da Aliya Capital Partners, fundo de investimento norte-americano sediado em Miami. O grupo está envolvido na gestão do Maccabi Netanya, de Israel, e é também investidor no Reading FC, de Inglaterra.

O Tondela também integra uma rede multiclube desde a entrada do Grupo Élite Gestión y Administración no capital da SAD. O grupo espanhol é igualmente o acionista maioritário do Racing Club de Ferrol. O Desportivo de Chaves passou a fazer parte da rede internacional do grupo mexicano Clase Azul, que é também proprietário do Club Atlético La Paz, da segunda divisão do México. O AVS Futebol SAD faz parte do universo empresarial do empresário brasileiro Rubens Takano Parreira, que, há mais de um ano, expandiu o seu projeto ao adquirir 90% da SAF do Brusque FC, do Brasil.

O Feirense é controlado pelo empresário nigeriano Kunle Soname, através da Tavistock, sociedade que detém a maioria do capital da SAD. Soname é também proprietário do Remo Stars, da Nigéria, e fundador da Beyond Limits FA, academia de formação que integra o mesmo projeto de desenvolvimento de jogadores, inserindo o clube fogaceiro numa estrutura internacional de investimento ligada ao futebol.

O Vizela é detido pelo fundo de investimento malaio F. Karpia, sendo Hon Pan Cheang o beneficiário efetivo final da EFKARPIA – Trades and Investment Limited, sociedade de investimento sediada na Malásia. Nos últimos anos, a SAD vizelense tem desenvolvido uma relação desportiva próxima com a Academia Puerto Cabello, da primeira divisão venezuelana, refletida em várias cedências e transferências de jogadores entre os dois emblemas, apesar de não existir qualquer ligação estrutural oficialmente assumida entre os dois clubes.

O clube venezuelano nasceu do projeto impulsionado por Rafael Lacava, atual governador do estado de Carabobo. O seu filho, Matías Lacava, integra o plantel do Vizela, depois de ter chegado inicialmente por empréstimo da Academia Puerto Cabello. A equipa principal do Vizela é atualmente orientada pelo treinador venezuelano Ronald Molina, que anteriormente desempenhou funções como treinador-adjunto e orientou a equipa de sub-23 dos vizelenses.

A crescente presença destes grupos demonstra a atratividade do futebol português para investidores internacionais, que veem nos clubes nacionais uma oportunidade para desenvolver talento, potenciar a valorização de jogadores e criar sinergias entre diferentes projetos desportivos. Além da qualidade da formação e da competitividade das competições nacionais, o enquadramento legal português para a integração de jogadores extracomunitários continua a ser um dos fatores que tornam Portugal um mercado particularmente apelativo para redes internacionais de investimento. A tendência aponta para que o número de clubes integrados nestas estruturas continue a crescer nos próximos anos.

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