Foto: Direitos reservadosAntigo responsável admite tempestade na arbitragem
Duras palavras de Duarte Gomes
Duarte Gomes explicou as razões que o levaram a abandonar as funções que desempenhava de diretor técnico, falando numa “quebra de confiança institucional profundíssima” e revelando ter ficado na posse de elementos que considera suficientes relativamente a “ilegalidades” e a condutas com as quais não se revê.
“Saí por uma quebra de confiança institucional profundíssima. Eu não sou polícia de investigação, não tenho essa presunção, não tenho mecanismos nem competências para fazer esse tipo de diligências”, começou por explicar o antigo árbitro internacional.
Duarte Gomes revelou que, depois de ter conhecimento de determinadas situações, decidiu realizar diligências para procurar esclarecer os factos. No entanto, garante que essas diligências não lhe devolveram a tranquilidade e, pelo contrário, aprofundaram as suas dúvidas.
“Depois desse conjunto de diligências, não só não recuperei a tranquilidade, como aprofundei as minhas dúvidas e receios. E perante isso, tomei a decisão de sair com provas, com elementos probatórios que para mim foram mais do que suficientes, de ilegalidades, de condutas com as quais eu não me revejo”, afirmou.
O antigo árbitro internacional fez, contudo, uma ressalva sobre a qualificação jurídica dos factos: “Se são ilegais, pode ser que a justiça, que tem essa competência, assim o prove.”
Duarte Gomes colocou ainda o foco nos princípios que estiveram na base da sua decisão, admitindo que cada pessoa estabelece os seus próprios limites de consciência.
“Para mim foi grave sobre um ponto de vista que é absolutamente estrutural, que é a dos princípios. E, portanto, eu respondo pelos meus princípios, como cada um responderá pelos seus”, afirmou.
O antigo árbitro confirmou também ter sido “ouvido na justiça desportiva” e deu a entender que prestou declarações à Polícia Judiciária, razão pela qual optou por manter alguma reserva sobre o processo.
“Há momentos na vida em que não é de todo incapacidade em ser frontal, é respeitar os tempos próprios das instituições. E este é o momento de respeitar o silêncio, porque é um processo que está em curso e em que se pede alguma reserva”, explicou.
Duarte Gomes garantiu ainda que a saída aconteceu apenas depois de esgotadas as tentativas para reverter a situação.
“O que aconteceu foi que há um ponto em que não nos revemos com um conjunto de práticas, ideias, projetos e formas de estar. Quando esgotamos ao máximo a tentativa de reverter a situação, então temos um caminho, o caminho da saída, e foi tomado em consciência”, afirmou.
Sobre a possibilidade de uma eventual “tempestade” atingir a arbitragem portuguesa, Duarte Gomes não a afastou, mas deixou um apelo para que eventuais consequências sejam tratadas com justiça.
“Se vier uma tempestade e se era uma tempestade inevitável que vai evitar muitas confusões para o futuro, que venha já. Agora, que seja justa, que não faça juízos em hasta pública de pessoas que são inocentes de algumas situações, que não faça processos de difamação sobre pessoas que também têm família e nome para defender”, declarou.
Duarte Gomes voltou depois a resumir as razões que estiveram na origem da sua saída: “A minha saída em termos institucionais foi baseada em quebra de confiança, em intranquilidade e em falta de respostas face às preocupações institucionais que me foram levantadas. É tão simples quanto isto.”
O antigo árbitro internacional admitiu, assim, que os próximos tempos podem trazer desenvolvimentos relevantes no setor da arbitragem em Portugal, embora tenha sublinhado a necessidade de respeitar o normal funcionamento das instituições e os envolvidos no processo.
"Sabe qual foi a melhor coisa que aconteceu no futebol português até hoje? O Apito Dourado. O Apito Dourado ter desmascarado, ainda que a prova não fosse feita ou não fosse aceite, como mais tarde viríamos a perceber, que não foi aceite, desmascarou pessoas, condutas, comportamentos. Nós todos ouvimos e vimos.
Quem quiser recordar que que que vá ao YouTube e faça uma pesquisa com os nomes que quiser, até de pessoas que mais tarde vieram a ser dirigentes de grandes instituições. E é só pôr o nome, a escuta e ouve-se tudo. Deixe-me usar esta expressão feia, um esgoto a céu aberto, mas permitiu filtrar o trigo do joio. E, portanto, naquele momento, nós percebemos quem é que tinha um conjunto de condutas no mínimo muito pouco éticas e muitas vezes ilícitas", afirmou Duarte Gomes na Antena 1.


